Entre periferia, floresta e concreto, esta coluna nasce da escuta dos conflitos que atravessam a Amazônia urbana. A partir do Serviço Social crítico, da pesquisa territorial e da vivência nas periferias da Região Metropolitana de Belém, o objetivo aqui é compreender como desigualdade, política urbana, racismo ambiental e justiça socioambiental se encontram na vida real. Mais do que comentar notícias, a proposta é perguntar quem ganha, quem perde e quem continua sendo esquecido em cada decisão sobre a cidade. É a partir desse chão que esta coluna tenta ler a cidade e disputar o futuro da Amazônia urbana.

Quem caminha hoje pela Orla de Ananindeua, no final das avenidas Santa Fé e Amintas Pinheiro, encontra uma cena que não cabe na fotografia oficial. De um lado, a estrutura inaugurada em dezembro de 2023, com calçadão, quadras de areia, iluminação, playground, palco e o discurso de novo cartão-postal às margens do rio Maguari, apresentada como espaço de lazer, turismo e convivência para a população da periferia. Do outro, a poucos metros dali, a área de mata ao lado do conjunto Uirapuru exibe trilhas recém-abertas, árvores derrubadas e sinais de uma tentativa de ocupação que começou de madrugada, ao som de motosserra, facão e medo.

Entre a orla projetada para ser vitrine e a floresta urbana cortada no escuro, o Icuí-Guajará revela o tipo de cidade que estamos produzindo.


Na prática, o conflito não está apenas na mata. Ele atravessa a forma como Ananindeua e a Região Metropolitana de Belém tratam, há décadas, suas periferias, suas áreas verdes e a própria ideia de direito à cidade.

O que moradores e redes estão dizendo

A história recente dessa área não começou em relatório técnico nem em nota oficial. Começou em vídeo tremido de celular, áudio de WhatsApp e denúncia de morador assustado.

Moradores do conjunto Uirapuru relatam que, durante a madrugada, ouviram barulho de motosserra, clarões de lanternas, vozes e movimentação de veículos entrando pela área de mata.

Muita gente acordou e, da janela, viu um cenário que não parecia simples circulação de pessoas, grupos abrindo clareiras, derrubando árvores, roçando vegetação e marcando possíveis lotes. Em poucas horas, vídeos começaram a circular em páginas locais, perfis comunitários, grupos de bairro e perfis de televisão, acompanhados de denúncias sobre “invasão de área verde” nas proximidades da Orla de Ananindeua.

A presença da Polícia Militar rapidamente passou a fazer parte da cena. Viaturas circulando, tensão entre moradores, pessoas tentando entender o que estava acontecendo, medo de confronto e a sensação de que algo maior do que uma simples ocupação estava se desenhando naquele pedaço da cidade.




Como esse conflito foi produzido

Para entender o que acontece hoje naquela área de mata, é preciso voltar à inauguração da própria orla. Quando o espaço foi entregue, em clima de festa, a promessa era de uma nova relação entre Ananindeua e sua frente ribeirinha: lazer, turismo, geração de renda, convivência, esporte e valorização da região do Icuí-Guajará.

Nos primeiros meses, a orla ganhou vida. Famílias passaram a ocupar o espaço, ambulantes organizaram suas vendas, crianças brincavam nas quadras, jovens faziam caminhada, bicicleta, registravam o pôr do sol para as redes sociais. A cidade parecia finalmente olhar para o rio não como fundo abandonado, mas como espaço legítimo de convivência urbana.

Mas a cidade-espetáculo tem um padrão conhecido: inaugura rápido e abandona devagar.

Com o tempo, a programação cultural diminuiu, o fluxo econômico perdeu intensidade, a manutenção começou a mostrar desgaste e a presença cotidiana do poder público enfraqueceu. Enquanto isso, os problemas históricos do Icuí continuaram praticamente intactos: canais tomados por resíduos sólidos e rejeitos, precariedade urbana, saneamento insuficiente, insegurança e ausência de políticas estruturantes.

A orla continuou existindo na paisagem. Mas o entorno voltou a experimentar aquilo que tantas periferias amazônicas conhecem bem, o vazio programático. Um espaço bonito na fotografia, mas frágil na vida cotidiana.

É nesse tipo de vazio urbano que disputas territoriais começam a crescer.

A floresta urbana como infraestrutura de vida

A área verde ao lado do Uirapuru não é “mato sobrando”. Ela funciona como infraestrutura ambiental e climática em uma região onde o concreto avança rapidamente e a drenagem já é historicamente frágil.

A vegetação ajuda a reduzir temperatura, absorver parte da água da chuva, diminuir a velocidade de enxurradas, proteger o solo, manter circulação de fauna e oferecer algum respiro ambiental em meio à densidade urbana crescente.

Quando esse tipo de floresta urbana desaparece, os impactos não chegam primeiro para o turista nem para o drone que faz imagens aéreas da cidade.

Eles chegam primeiro para quem mora ao redor.

Mais calor, mais lama, mais poças, mais resíduos rejeitos arrastado, mais mosquito, mais doença, mais desconforto térmico e mais pressão sobre áreas já vulneráveis. Na Amazônia urbana, a perda ambiental quase sempre se converte rapidamente em perda social.

Por isso, reduzir tudo ao rótulo de “invasão” é intelectualmente preguiçoso. A floresta urbana não é cenário. Ela é infraestrutura de vida.




Entre a necessidade de moradia e o medo da destruição

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar uma realidade brutal, ninguém ocupa área de mata por esporte. Por trás de cada lote improvisado, existe uma combinação conhecida na Região Metropolitana de Belém aluguel caro, informalidade, desemprego, ausência de política habitacional robusta e insegurança permanente sobre onde morar.

Há décadas, a expansão periférica da RMB empurra a população pobre para baixadas, margens de rio, áreas de risco, fragmentos de floresta e terrenos sem infraestrutura.

Isso não justifica desmatamento em área ambientalmente sensível. Mas ajuda a compreender por que tantas famílias acabam sendo colocadas diante de uma escolha cruel, permanecer em contextos de abandono urbano ou ocupar áreas frágeis para continuar existindo na cidade.

Defender a preservação da área verde não significa criminalizar automaticamente quem está na ponta mais vulnerável do conflito. Mas defender o direito à moradia também não pode significar naturalizar a destruição silenciosa dos últimos fragmentos de floresta urbana da cidade.

Se a discussão ficar apenas entre “ambientalista” e “invasor”, sem olhar para a estrutura urbana que produz essa colisão, a cidade continuará tratando consequência como se fosse causa.

Especulação, eleição e disputa territorial

Em meio às denúncias, um elemento aparece com frequência nas conversas dos próprios moradores, a sensação de que aquela movimentação não parecia totalmente espontânea.

Quando materiais começam a chegar rápido demais, quando existe organização logística em horários específicos, quando aparecem promessas de loteamento ou expectativa de futura regularização, muitos moradores passam a suspeitar da presença de articulações políticas e interesses territoriais maiores.

A experiência de diferentes periferias amazônicas mostra que, em períodos de tensão urbana e proximidade eleitoral, a necessidade real de moradia frequentemente se transforma em instrumento de disputa política. Promessas de regularização, distribuição de materiais e organização informal de ocupações acabam convertendo vulnerabilidade social em moeda territorial.

Nesse cenário, quem aparece na linha de frente do conflito é sempre a população mais vulnerável enfrentando polícia, tensão comunitária e insegurança jurídica enquanto quem articula os interesses maiores quase nunca aparece.

A pobreza continua sendo usada como ferramenta de disputa urbana.

O que o poder público faz e o que não faz

Diante da pressão social e da repercussão nas redes, o Estado aparece rapidamente pela via da segurança pública, presença policial, fiscalização, circulação de viaturas e tentativa de conter o avanço da ocupação sobre a área verde.

Mas o problema é anterior à crise.

A mesma cidade que inaugura obras com grande aparato político e institucional frequentemente falha em manter presença contínua no território depois da entrega oficial. Falta integração entre política ambiental, habitação, lazer, cultura, segurança e planejamento urbano.

Uma área verde localizada ao lado de uma orla recém-inaugurada, em um bairro historicamente precarizado, jamais poderia ser tratada como espaço neutro no mapa. Sem definição clara de uso, proteção efetiva, participação popular e presença comunitária organizada, o território se transforma inevitavelmente em objeto de disputa.

O Estado costuma aparecer em dois momentos, na inauguração e no conflito. O que permanece ausente é justamente o cotidiano.

Direito à cidade e justiça socioambiental

O que está em jogo na Orla de Ananindeua não é apenas uma disputa localizada por terra. É uma pergunta maior sobre que tipo de Amazônia urbana está sendo construída na Região Metropolitana de Belém.

O Estatuto da Cidade fala em função social da cidade, acesso democrático ao espaço urbano, direito à moradia, participação popular e meio ambiente equilibrado. Mas, no cotidiano de bairros periféricos como o Icuí-Guajará, o que aparece é a combinação de déficit habitacional, abandono urbano, fragilidade ambiental e baixa presença de políticas públicas permanentes.

Uma política urbana comprometida com justiça socioambiental precisaria combinar, ao mesmo tempo:

  • preservação efetiva da área verde;
  • alternativas reais de moradia digna;
  • presença contínua do poder público;
  • programação social e cultural permanente;
  • e participação popular sobre o futuro daquele território.

Sem isso, a cidade continuará produzindo o mesmo conflito em lugares diferentes.






Grifo do autor

Como assistente social e pesquisador da Amazônia urbana, não consigo olhar para o que acontece hoje no Icuí-Guajará apenas como “invasão” ou “caso ambiental isolado”. O que aparece ali é uma cidade pressionada por desigualdade habitacional histórica, abandono urbano e destruição progressiva de seus últimos fragmentos de floresta.

Na reta final, moradores vulneráveis e defensores da área verde acabam disputando entre si, enquanto as estruturas que produzem essa colisão seguem praticamente intactas.

O que essa cena diz sobre a cidade que estamos construindo

Talvez o maior erro seja imaginar que esse conflito acontece apenas em uma área verde próxima da orla. Na verdade, ele revela o modelo de cidade que continua sendo produzido na Amazônia urbana: uma cidade que investe rápido naquilo que vira fotografia oficial, mas demora décadas para responder às urgências históricas das periferias.

Quando a política urbana fracassa, a mata vira lote. E quando a justiça social falha, a periferia vira fronteira permanente de conflito.

A Amazônia urbana não precisa escolher entre moradia e floresta. O verdadeiro desafio é construir cidades em que a população pobre não precise destruir a natureza para continuar existindo.

E você, que vive, circula ou trabalha nessa região, como enxerga esse conflito? O que a cidade ainda se recusa a enfrentar quando olha para a Orla de Ananindeua e para o cotidiano do Icuí-Guajará?


Para saber mais

Read More

 Estão abertas as inscrições para o Mestrado em Tecnologia, Recursos Naturais e Sustentabilidade na Amazônia, o PPGTEC/UEPA, uma excelente oportunidade para quem deseja desenvolver pesquisa interdisciplinar voltada ao desenvolvimento sustentável, à gestão ambiental, aos recursos naturais, ao território e aos desafios socioambientais da Amazônia.

O programa dialoga com temas cada vez mais urgentes para a região amazônica, especialmente quando pensamos em sustentabilidade, planejamento territorial, políticas públicas, inovação, meio ambiente e produção de conhecimento comprometida com os problemas concretos da sociedade.

Mas atenção: entrar em um mestrado não começa apenas com vontade. Começa com leitura cuidadosa do edital.

No vídeo, faço uma leitura comentada do edital do Mestrado PPGTEC/UEPA, destacando os principais pontos que o candidato precisa observar para não cometer erros durante o processo seletivo.

Entre os pontos abordados estão:

Inscrição no sistema da UEPA
Escolha da linha de pesquisa e possível orientador
Etapas da seleção
Prova objetiva com 16 questões
Construção do projeto de pesquisa
Organização do Currículo Lattes
Preparação para entrevista e defesa do projeto

Segundo as informações do edital, as inscrições seguem até 21 de janeiro de 2026, com taxa de inscrição no valor de R$ 100,00. A seleção contará com prova objetiva, análise do projeto, avaliação do Currículo Lattes e entrevista. A prova presencial está prevista para 05 de fevereiro de 2026.



Assista ao vídeo completo no YouTube:

https://youtu.be/zjon_6ku8wU



A Turmalina Verde também estará acompanhando candidatos interessados em construir uma candidatura mais organizada, estratégica e alinhada ao edital.

A assessoria acontecerá de 13 a 17 de janeiro, com orientação voltada para inscrição, leitura do edital, escolha da linha, estruturação do projeto, organização do Lattes, preparação para a prova e treino para a entrevista.

A ideia é simples: ajudar você a transformar uma intenção de mestrado em uma candidatura sólida, coerente e bem apresentada.

Porque não basta ter um bom tema. É preciso apresentar esse tema dentro das regras do edital, com clareza metodológica, aderência à linha de pesquisa e consistência acadêmica.

Se você quer entrar no mestrado com um projeto bem estruturado e alinhado ao edital, fale conosco pelo direct ou pelo WhatsApp.

WhatsApp: (91) 98593-5877


Read More

 O Processo Seletivo Simplificado para Assistente Social da Polícia Civil exige atenção não apenas ao conteúdo do edital, mas também ao uso correto da plataforma SIPROS, o Sistema Integrado de Processo Seletivo Simplificado do Estado do Pará.

Neste vídeo, apresento um passo a passo objetivo para ajudar quem está participando do PSS a compreender melhor como acessar a plataforma, realizar cadastro, fazer login e acompanhar as principais orientações do processo seletivo.

A proposta é simples: evitar erros que podem comprometer a inscrição e mostrar como o candidato pode organizar melhor sua documentação, sua leitura do edital e sua pontuação na etapa de qualificação profissional.

No vídeo, você vai aprender:

  1. Como cadastrar e fazer login na Plataforma SIPROS.
  2. Como fazer uma leitura comentada do edital para evitar eliminação.
  3. Como aumentar sua pontuação em qualificação profissional com cursos gratuitos, oficiais e compatíveis com o que o edital exige.

Esse conteúdo é especialmente importante para candidatos que, muitas vezes, perdem pontos ou até são eliminados por detalhes formais: documentos incompletos, leitura apressada do edital, escolha errada de arquivos, ausência de comprovação ou desconhecimento dos critérios de pontuação.

A orientação acadêmica e profissional também passa por isso: compreender o edital como um documento estratégico. Não basta se inscrever. É preciso saber interpretar as regras, organizar os comprovantes e apresentar sua trajetória da melhor forma possível dentro dos critérios estabelecidos.

Assista ao vídeo completo no YouTube:



https://youtu.be/k1QTEBQLbmk?si=gDoFnp9WUCvJGf9H



Read More








A etapa de submissão costuma ser uma das mais confusas para quem está produzindo artigo científico. Não é raro ver bons trabalhos sendo devolvidos por erro no cadastro, descuido nas normas da revista ou envio incompleto de documentos.

Por isso, organizei um vídeo explicando, de forma objetiva, como funciona o processo de submissão de artigo científico, passo a passo.

Depois de assistir, me conta aqui nos comentários:

Você já tentou submeter um artigo?
Teve alguma dificuldade específica?
Ficou com alguma dúvida que eu possa aprofundar em outro vídeo?

Read More

 

Olá “meus caros e nobres alunos”, hoje, estamos aqui para celebrar uma jornada que não foi fácil, mas que valeu cada esforço. É uma honra falar, para essa turma que conseguiu chegar até aqui, pois muitos eu conheci no momento de suas matrículas, e aqui estou eu, na conclusão dessa etapa.

Parafraseando a música A Estrada, do Cidade Negra: “Você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aqui!” Percorremos milhas e milhas antes de dormir, sem cochilar, escalamos os mais belos montes, atravessamos noites escuras e frias, choramos, mas não desistimos. Cada um de vocês tem uma história, mas todos compartilhamos o mesmo esforço silencioso que nos trouxe até este momento.

Quero agradecer sinceramente aos professores/as que lhes inspiraram, aos seus amigos que caminharam ao seu lado e às famílias que apoiaram seus entes queridos incondicionalmente. Também homenageamos aqueles que não puderam estar aqui, mas cujo legado permanece conosco.

Agora, formados, vocês entraram de vez no “ringue”. A graduação é o ingresso, o passaporte para entrar em campo. Mas o verdadeiro combate acontece no mundo do trabalho, são disputas. E quem vence são os mais preparados aqueles que treinam mais, que estudam mais, que se atualizam.

É aí que entra a pós‑graduação: a especialização, o mestrado. Não são apenas títulos, são qualificações que vão diferenciar vocês nesta nova etapa da vida profissional. Quem se aprofunda no que ama, atua de forma mais prazerosa e satisfatória, quem se prepara, quem não para de aprender, será quem fará diferença e comtemplará reconhecimentos.

Quero deixar o meu incentivo: vocês agora são graduados em nível superior tecnólogos, Licenciados e bacharéis, profissionais com formação sólida. Não há hierarquia entre os cursos, mas existe diferença na forma como vocês vão se posicionar na sociedade e no mercado.

Façam a diferença. Como profissionais, como pessoas. Que sejam referência no trabalho, na família e na sociedade. Que o seu fazer, a sua ética, o seu compromisso, sejam reconhecidos.

Parabéns, formados. Agora, comecem a pensar, o que vai ser de vocês depois da graduação? Que a pós‑graduação seja a próxima etapa consciente da sua trajetória.

Prof. Me. Moisés Vasconcelos - Assistente Social












Read More

 



O estudo analisa os impactos das obras de macrodrenagem na Bacia do Tucunduba, em Belém, evidenciando processos de urbanização, gentrificação e exclusão social, e, sobretudo, as resistências populares protagonizadas pelo Movimento Tucunduba Pró Lago Verde.

Trata-se de uma pesquisa comprometida com o direito à cidade, a justiça socioambiental e a valorização das lutas dos territórios periféricos.

Registro minha gratidão à Profa. Dra. Roselene de Souza Portela, pela orientação e parceria acadêmica, e ao companheiro Renato César Gomes Cunha, apresentando o trabalho e fortalecendo essa construção coletiva.


Read More

 Compartilho com alegria a publicação do meu novo artigo em uma revista (Qualis A4). O texto analisa o racismo ambiental a partir da experiência das comunidades que vivem no entorno do aterro sanitário de Marituba, na Região Metropolitana de Belém/PA. A pesquisa mostra como os impactos socioambientais se distribuem de forma desigual e atingem com mais força populações periféricas, negras e historicamente marginalizadas. Também evidencia a potência da mobilização comunitária e dos movimentos sociais na defesa do território e na luta por justiça socioambiental.





Palavras-chave: 

aterro sanitário, impactos socioambientais, racismo ambiental, distribuição desigual de impactos

Resumo

Este artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de mestrado que investigou os impactos da implantação de um aterro sanitário em Marituba, Estado do Pará. O objetivo principal é apresentar os dados relativos à percepção dos moradores sobre os impactos socioambientais e refletir sobre o racismo ambiental e a distribuição desigual dos danos ambientais e sociais. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa para coleta de dados. Foram aplicados 40 questionários em três bairros diretamente afetados pelo empreendimento, com moradores selecionados com base em critérios como proximidade ao aterro e permanência no local por pelo menos cinco anos. Os resultados indicam que a implantação do aterro causou impactos negativos em áreas como saúde, economia e qualidade de vida. Moradores relataram doenças respiratórias, alergias e problemas estomacais devido à contaminação do ar, água e solo. O mau cheiro afetou a qualidade de vida e dificultou a socialização e o uso dos rios. Agricultores e pescadores enfrentaram dificuldades econômicas devido à possível contaminação, além do prejuízo ao turismo local. A infraestrutura urbana não apresentou melhorias e a falta de consulta pública antes da instalação do aterro gerou insatisfação e exclusão da população nas decisões.


Como Citar

Vasconcelos Junior, M. R., Portela, R. de S., & Lisboa, C. R. F. (2025). Racismo ambiental: distribuição desigual dos impactos socioambientais do aterro sanitário em Marituba-PACuadernos De Educación Y Desarrollo - QUALIS A417(12), e10234. https://doi.org/10.55905/cuadv17n12-014



Read More